quarta-feira, 22 de abril de 2015

Dia 23

Outro dia meu pai chegou com um livro, já antigo, e de um autor meu velho conhecido. Ele me pediu que lesse uma das crônicas, pois tinha gostado muito, e achou que eu ia gostar também. Eu olhei para o livro, olhei para ele, meio desanimado, e disse que ia tentar, pois não estava nem conseguindo dormir ultimamente, então não sabia se ia conseguir. Enrolei por uma semana, e depois que li algumas crônicas vi que ele estava certo, o livro é realmente muito interessante, e só aumentou a minha admiração pelo autor.

Image courtesy of chanpipat at FreeDigitalPhotos.net
Alguns dias depois eu fiz uma observação prática do trecho que reproduzo abaixo. Um dos meus trabalhos hoje é com vendas. Vendas de produtos de um tipo que eu nunca havia imaginado trabalhar: Cosméticos. E dentre os produtos mais vendidos estão perfumes. Eu sempre gostei de perfumes, mas... pasmem: nunca havia comprado sequer um. Todos que tenho eu havia ganhado de alguém. Então comprar perfumes (além de vender) também não estava na minha programação mental. E mesmo sabendo que os preços de bons perfumes são altos, e sabendo que os perfumes que eu vendo são pelo menos 60% mais baratos que os concorrentes, eu ainda tinha o sentimento de que eram caros. E todo mundo que eu oferecia perfumes dizia o mesmo! Mas a minha esposa, e muitos outros amigos e parceiros de negócio diziam que não, que são baratos! Mas eu não conseguia vender nenhum! Enquanto eu achei que os perfumes eram caros eu não vendi nada. Como num passe de mágica, a partir do momento que passei a acreditar que são baratos, com convicção, eu comecei a vender. E com facilidade! 

"Segundo os filósofos, aquilo em que um homem acredita, acaba sendo a sua realidade. Durante anos eu disse que não era mecânico e não era mecânico. Ao dizer que não sabia sequer distinguir uma ferramenta de outra, fechava-se as portas de um mundo de luz. Tinha de haver alguém para consertar os meus aviões para que eu pudesse voar. 

Ai, comprei um louco e velho biplano, com um motor circular e demodê no focinho, e não demorei a descobrir que aquele motor, não ia tolerar um piloto que não soubesse nada sobre a personalidade de um Wright de 175 cavalos, ou algo sobre reparos em estruturas de madeira e tela encerada. 

Foi assim que aconteceu a coisa mais estranha de toda a minha vida... mudei de maneira de pensar. Aprendi a mecânica dos aviões. 

O que todo o mundo sabia há muito tempo, para mim foi como uma aventura. Por exemplo, um motor aberto e espalhado sobre uma bancada, é apenas uma coleção de peças de formas diferentes, apenas ferro frio. Não obstante, essas mesmas peças, reunidas e montadas numa fria fuselagem, transformam-se num novo ser, numa escultura acabada numa forma de arte digna de qualquer galeria. E, como nenhuma outra escultura na história da arte, o motor e a fuselagem criam vida da mão do piloto e unem a sua vida à dele. Separados, o ferro, a madeira, o pano e os homens estão presos ao solo. Juntos, podem se erguer no céu, explorar lugares onde nenhum de nós já esteve. Foi, para mim, uma surpresa aprender isso, pois sempre julgara que mecânica se resumia a metal partido e pragas em voz baixa."

Richard Bach - O paraíso é uma questão pessoal

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