segunda-feira, 6 de abril de 2015

Dia 17

Você diz "Não" quando deseja?

Image courtesy of David Castillo Dominici at FreeDigitalPhotos.net
Você já parou para pensar quantas coisas seriam diferentes na sua vida se você fosse mais sincero consigo mesmo e com os outros? Sabe aquele favor que a sua vizinha te pediu, e você não tava nem um pouco a fim, ou pior, que você não podia fazer? Você fez né? E aquele cliente que pediu aquele desconto de 90% no trabalho? E aquele outro que disse que não sabia que tinha que pagar? E aquele amigo que tira um sarro com você, que você tem vontade de sentar a mão na cara?

Calma, não estou dizendo que você não deve fazer nada por ninguém, não dar descontos ou não aceitar brincadeiras. Mas você deve pensar se aquilo que você está aceitando é realmente sincero, ou só conveniente. Você não pode ser a pessoa que contraria a si próprio o tempo todo. Para que outros o respeitem, acima de tudo você deve se respeitar. Se você deixa bem claro que você também tem seus afazeres, suas necessidades e suas vontades, você vai com certeza ser visto com outros olhos. Talvez como alguém maduro, capaz, responsável, confiável. Você precisa saber se impor, e quando escolher aceitar, fazer um favor, dar um desconto, que seja verdadeiro, sincero, e com consciência. E então você conseguirá "terminar" realmente aquilo que fez. Se você fica com aquele sentimento de que fez contrariado, fica remoendo, pensando "e se eu não tivesse feito...", parece que aquilo não acabou realmente. Como você se sente quando tem várias tarefas pela metade? E se você descobrir que tem centenas, talvez milhares delas flutuando na sua memória, no seu subconsciente?

Que tal refletir com total sinceridade na próxima vez em que se deparar com uma situação assim? Depois que eu comecei a fazer isso eu me sinto muito mais leve, e eu percebo que isso também não é uma coisa ruim para as pessoas que pedem, ou perguntam. Parece que elas também ficam aliviadas e felizes com a minha sinceridade. Todo mundo precisa de limites. E nós gostamos de limites, nos faz bem. Defina o seu limite, dentro daquilo que está em jogo naquele momento (mais uma vez, não é para ser inflexível, é para ser sincero) e avise a outra parte qual é esse limite, e quando ele estiver chegando. As coisas, podem ser mais simples, e nós podemos, sim, com essas coisas simples, ter menos problemas. Exerça a sua liberdade.

"A liberdade não é uma filosofia e nem sequer uma idéia; é um movimento da consciência que nos leva, em certos momentos, a pronunciar dois monossílabos: Sim ou Não. Em sua brevidade instantânea, como à luz do relâmpago, desenha-se o signo contraditório da natureza humana."
Octávio Paz, A outra voz

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