quinta-feira, 2 de outubro de 2014

COMO você sabe?

Estive num retorno na Ortopedia do HC da UNESP. Já fazia bem uns 8 meses que eu não ia lá. Tinha perdido a última consulta marcada,  a uns 2 meses... enfim, resolvi aparecer, mesmo sem a consulta marcada, e consegui ser atendido. E até que não demorou muito. Acho que não deu nem uma hora de espera.

Fui atendido por um médico que nunca havia me atendido antes. Depois das perguntas de praxe, como "Então você teve uma fratura na perna?" Não, foram incontáveis fraturas. "Foi em..." Abril de 2011. O cara era novo, deve ser mais novo que eu, 20 e poucos anos. Simpático, atencioso. Já que o cara parecia gente boa eu quis ver até onde ele confiava no que provavelmente fora instruído nos longos anos na faculdade de Medicina. Fiz uma pergunta, e tive a resposta que já esperava, embora tivesse uma leve esperança de que ele me falaria algo diferente:
- Quanto a fisioterapia, o que é recomendado, o que eu posso conseguir ainda, ás vezes eu tenho muita dor, principalmente quando faço mais esforço, e embora já seja bem mais leve do que a um ano atrás, por exemplo, ainda incomoda bastante.
Ele me disse, basicamente, que a fisioterapia seria uma coisa interessante claro, mas algo paliativo, uma vez que eu não teria mais evolução na mobilidade.
Senti vontade de perguntar pra ele: Como você sabe? Você já teve esse quadro? Já sentiu o que eu senti, já passou por tudo que eu passei desde o acidente?  Mas não fiz isso. Me limitei a sorrir, e concordar. Não valia a pena entrar em uma discussão com ele. Eu simplesmente acredito que ainda vou melhorar muito, inclusive a mobilidade. Me lembro de tudo o que eu já passei, quando eu tenho certeza que a maioria acreditava que eu iria perder a perna, ou que fosse ficar de muletas, ou no mínimo mancando. Só eu sei o que eu posso. Eu acredito em mim. Na minha força de vontade. Não estou dizendo que sou melhor que ele. De maneira nenhuma. Inclusive eu nem tenho o conhecimento técnico que ele tem, pra poder discordar assim. Eu sou profundamente grato por todo o trabalho e e confio plenamente na capacidade e competência do corpo médico do HC. 
Mas que ninguém vai me dizer qual é o MEU limite. 

Fiquei pensando... quantas vezes na vida posso ouvir que algo não pode ser feito, que pode ser feito, mas não por mim? Que cheguei no meu limite? 
Quantas vezes eu posso duvidar de mim mesmo? 
Quantas forem necessárias pra eu imaginar como é a vida se eu aceitar esse "você não pode", esse "você não consegue", esse "melhor que isso não vai ficar". E eu imagino, e tenho certeza que não vou aceitar isso.

NUNCA deixe NINGUÉM definir os SEUS limites. 

EU defino os MEUS. Ou não. 



quinta-feira, 31 de julho de 2014

Adolescência e trabalho, combinam?

Sobre o trabalho "forçado" na adolescência, evasão escolar, educação e sociedade.

Comecei a trabalhar cedo. Ouvi, desde criança, que o trabalho dignifica o homem. Porém não fui obrigado a trabalhar. Apenas sabia que na vida nada vem de graça. Tenho trabalhado e estudado simultaneamente desde a adolescência,  e sei que é necessário nos esforçarmos para conseguirmos o que queremos e precisamos aprender a gostar de trabalhar.
Acredito que a teoria e a prática são dois lados de uma mesma moeda, pois uma sem a outra, por si só, não faz alguém alcançar a plenitude de sua capacidade. Para mim a vida é um aprendizado constante e, neste caso, entendo o conceito de teoria como o estudo, enquanto a prática é o trabalho. Vejo a necessidade de se apresentar estes dois conceitos juntos desde a infância (de maneira mais lúdica), e na adolescência, quando a capacidade intelectual e física do indivíduo já permite, de forma mais prática e próxima da realidade na vida adulta.
Penso que o trabalho na adolescência, conjunto ao estudo, e levando-se em consideração o tempo e intensidade para que um não atrapalhe o outro e tampouco acelere de forma não salutar o processo normal de formação do ser humano adulto, contribui de forma muito positiva para o crescimento deste adolescente como  um indivíduo socialmente mais completo, preparado para a vida adulta e realizado.
Desta forma, apenas com uma completa reestruturação conceitual e prática na educação, seria possível, gradualmente, que fosse resolvido o problema da evasão escolar na adolescência, resultando ainda numa profunda mudança na sociedade como um todo.