sábado, 5 de novembro de 2011

Considerações sobre a dor III - a revolta do ducentésimo décimo

Continuando a divagar sobre a dor:

Ainda não cheguei a uma tese sobre a origem da dor, e a sua relação com o psicológico, mas tenho algumas observações a fazer:

  • Durante o dia a dor tende a se esconder. Ainda não sei se é o sol, ou se é por turnos de horário.
  • Manifesta-se mais se eu presto atenção nela. Também não sei se é timidez ou exibicionismo.
  • Gosta de atenção especialmente a noite, no horário de dormir, e é bem chegada num analgésico nesse horário.
  • Pode variar sorrateiramente de lugar, maior fanfarrona.
Descobri um jeito de amenizar a dor, aliás, mais de um até eu acho. Quando estou no banho, e estou com dor, mas a perna precisa ser limpa, especialmente em volta dos ferrinhos do Fixador, antes mesmo de começar a aumentar a dor eu me concentro, ao mesmo tempo que me desconcentro, é uma coisa meio doida. Eu penso longe, não em algo definido, mas me desligo um pouco do que está acontecendo, ás vezes pode ser começando a olhar para o céu através da janela, e começo a viajar nele. Eu digo que me concentro porque isso exige um esforço, uma vontade para se fazer. E então eu entro numa espécie de torpor, como se eu estivesse meio bêbado. Meus movimentos, reações e até a fala ficam afetados. Tudo fica mais lento. E a dor parece que fica mais longe. Até demoro um pouco para conseguir voltar ao estado normal.

Outra situação é quando estou fazendo algum esforço físico, por exemplo, na fisioterapia. Principalmente na parte de alongamento, e ganho de movimentação (acho que não é o termo correto...) sinto dor. Tem vez que não é muito. Mas tem vez que nem consigo completar toda a série. Então eu me concentro na dor. Pois nesse momento eu não posso ficar lento, entorpecido. Eu tentei uma vez. E não consegui. Não consigo me desligar da dor, então me ligo nela. Parece que a estou desafiando. Vem que eu tô aqui. Pode vir mais forte, que eu sou mais forte que você. E não me esqueço nem um instante que essa dor quer dizer que estou me recuperando. Ás vezes conto os segundos que dura cada exercício, ou movimento, e quando não aguento mesmo peço água. 

Ah, e o ducentésimo décimo veio no meu peito, com os dois pés. O dia. 7 meses. Que venham mais 7, ou 8, ou quantos forem necessários. Vem que eu tô aqui.

2 comentários:

filho do jiddu disse...

bacana vei, parabens ^^

Jiddu disse...

Eita, eu num tenho filho desse tamanho não!Hahah, quem é você? Valeu!