sábado, 2 de julho de 2011

final - planos, de repente

Como eu disse no post anterior, eu estava começando a perceber que as coisas que eu tinha planejado iriam mudar, mas ainda não tão conscientemente.
Toda hora vinha algum médico diferente me examinar e perguntar onde eu estava sentindo dor. A minha calça estava completamente rasgada, mas a jaqueta estava inteira. Num certo momento vieram tirar a minha jaqueta, mas ainda não tinha feito raio-x e quiseram corta-la pra tirar. Ah, eu não deixei. Minha calça que eu mais gostava ja era, o meu único tênis decente também. Minha perna estava em pedaços, a minha jaqueta ia continuar inteira!! Ainda bem que os braços da jaqueta são presos com zíperes, e aí eu consegui salvá-la.
Fiz uma porção de raios-x, e toca passar da maca pra mesa de raio-x, e depois de volta! Saio da sala de raio-x, passam-se alguns minutos e entra um médico agitado e xingando todo mundo, pois os raio-x não estavam como deveriam estar, ele mesmo iria refazê-los! E vamos pra mesa de raio-x de novo...
Depois disso eu não me lembro muito claramente das coisas, acho que me deram anestésico e sedativo...Me lembro de entrar na sala de cirurgia, e depois da sala de recuperação, e então o quarto! Nisso eram 4:30 da manhã.
Quando acordei que eu consegui examinar o que tinha sido feito na minha perna, e confesso que fiquei bem feliz com o que vi. Apesar de estar inchada, torta e com uma porção de ferros, ela ainda estava lá!!
Com as horas, e depois os dias passando, eu fui me dando conta de que realmente minha vida estava mudada, e para sempre. Eu ainda não sabia quais seriam as consequências de tudo isso, mas sabia que nunca mais seria o mesmo. Eu percebi que nunca tinha estado tão perto da morte quanto naquele acidente. Ainda não estava tudo acabado, nas primeiras 48 horas era alto o risco de Embolia Gordurosa (com o rompimento de vasos e ossos grandes, como o fêmur e tíbia, há mistura a medula óssea com sangue, que é levado ao pulmão e, se o atravessar, chega ao cérebro, rim e coração, obstruindo os vasos capilares), que pode levar ao coma e até a morte. O risco de infecção também era considerado, devido à exposição dos ossos fraturados ao meio externo. Eu realmente sou um cara de sorte. Nada disso aconteceu.
As visitas vieram, foi tanta gente que eu nem posso citar nomes, pois corro o risco de esquecer alguém. E os recados, e os pensamentos. A minha família sempre lá. A cada cirurgia, cada horário de visitas. O apoio dela foi fundamental, e ainda está sendo!
No início eu nem sabia se podia fazer algum plano para o futuro, pois não tinha certeza de quanto tempo iria ficar internado, e nem qual seria o tratamento para a minha perna. Não sabia nem qual era o tamanho do problema, na verdade!
Os médicos e enfermeiros sempre muito atenciosos, o atendimento e competência de quem trabalha na Unesp estão muito bons!
Agora, em casa eu vejo tudo isso que já passou, e vi o quanto realmente a minha vida já mudou.
Como eu já disse em postagens anteriores, em momentos como esse percebemos como são de grande valor os pequenos gestos, os pequenos detalhes.
Como já disse Renato Russo: "É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã..."
Percebi como sou frágil. Como a vida é efêmera. Que devo ter planos traçados, e não devo deixa-los para depois. Que talvez eu tenha que mudá-los, talvez até completamente, mas não devo deixar de tê-los, nunca! Que devo estar sempre pronto para tudo. Que devo ser forte e humilde ao mesmo tempo, e me superar a cada dia, pois os desafios surgem quando menos eu esperar!


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