segunda-feira, 27 de junho de 2011

continuação - planos, de repente

... Eu, naquela segunda feira, dia 4 de abril, tinha os meus planos, e acreditava ser dono do meu destino.
Mas... De repente...
É incrível como a vida pode mudar de uma hora para outra, de um segundo para outro.
Num instante eu estava indo para casa, em cima da minha moto, cantando Legião bem alto, sabendo o que eu iria fazer na próxima meia hora, e depois, e ainda mais tarde, e no dia seguinte, e...
Alguns segundos depois eu estava no chão, sentindo uma dor insuportável, que me fazia gritar tão alto quanto eu nunca tinha gritado na minha vida, sem saber o que iria acontecer no próximo instante, e sem saber se ainda podia dizer que tinha uma perna direita. Apesar de tudo isso eu pensava rápido. Eu acho. Mais alguns segundos e já haviam várias pessoas ao redor de mim.
Não perdi a calma,e consegui fazer uma ligação no celular, ia fazer a segunda, mas a dor me fazia tremer, e eu não conseguia mais segurar o aparelho direito. Então um rapaz perguntou se eu queria que ele ligasse para alguém. Eu entreguei o celular para ele e falei pra ligar pra minha casa, pois uma outra pessoa já estava ligando para o resgate. E eu ainda conseguia, não sei como, prestar atenção no que as pessoas falavam comigo, e dizer o nome da estrada onde estávamos para a pessoa que ligava para o resgate, e agradecer por estar vivo.
Na verdade a primeira coisa que pensei depois que percebi que estava parado depois do choque foi: Estou vivo! Graças a Deus!
E a Renata chegou, e o meu pai também, mais ou menos ao mesmo tempo que a ambulância. Ao me colocarem na maca doeu ainda mais. Para colocar a maca na ambulância era preciso ajuda, pois eles estavam só em duas pessoas, e o ideal era 4, até para não dat muito tranco e eu sentir menos dor. O meu pai resolveu ajudar, mas eu tive que gritar que não, pois ele havia feito uma cirurgia de apendicite, na semana anterior.
No caminho para o hospital, a cada curva, a cada buraco, a dor piorava, e eu respirava fundo, tentando manter a concentração e a calma, enquanto a Renata e a socorrista/enfermeira conversavam comigo para me manter acordado. Eu não tinha sono. mas como ainda não havia sido feita nenhuma radiografia era perigoso que eu dormisse.
Eu comecei a perceber que as coisas que eu tinha planejado iriam mudar. Mas ainda não era uma percepção muito consciente. Era só uma questão de obviedade. Se eu estava chegando na emergência de um hospital eu não ia poder estar em outro lugar. Mas eu não tinha idéia de por quanto tempo.
(Continua)

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